Diário Border 02
Nem sei quando foi a última vez que postei, mas vamos às atualizações do transtorninho de personalidade, os efeitos da medicação, e todas as demais coisas.
Com esse monte de remédio que estou tomando, tenho sentido coisas estranhas. Ou melhor, não sentido. É como se todo o turbilhão que eu sentia antes, que era formado por todas as emoções de uma vez em intensidades modulares (se faz sentido) tivessem estabilizado, porém estabilizado no ZERO. Alguma coisa muito boa aconteceu? Que bom, zero emoção. Nossa, morreu alguém? Que pena, zero emoção. O quê, estou dando um passo na minha vida financeira que pode ou não ser minha ruína (nada envolvendo certos felinos nem apostas)? Poxa, que coisa, zero emoção. Nem euforia, nem medo, nem raiva, que era quem controlava meus Divertidamente.
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| Gráfico do meu humor antes das medicações (vermelho) e depois (verde) durante um dia inteiro. |
É meio bosta viver assim porque apesar de não sentir as coisas direito, eu sei que eu deveria estar sentindo algo, eu deveria ter algum estímulo do mundo externo, alguma coisa, e não tenho, como se faltassse alguma coisa.
Da mesma forma que o excesso de emoções pode causar danos à vida cotidiana, a falta delas também pode causar problemas.
Um dos problemas que eu percebi que a falta de emoções tem me causado é que parece que a empatia que eu conseguia sentir pelo outro, próximo ou não, parece que secou quase tudo. Consigo ver e entender que o outro está triste por alguma coisa, mas tudo parece um exagero, embora, racionalmente, eu saiba que as pessoas tem direito aos sentimentos delas, pequenos ou grandes. E se eu não me vigio, viro uma megera fria e cretina. Eu não quero ser uma megera fria e cretina, ainda mais com quem eu amo.
De certa forma, acabo treinando para me colocar racionalmente no lugar do outro e entender o que o outro sente sem a nuvem da emoção me cegando, então vira mais uma escolha consciente eu me importar com o outro. Se isso é bom eu já não sei, mas de todo mal não deve ser.
Outra coisa é que desde que eu comecei a tomar o Aripiprazol, meu apetite (e às vezes a fome) aumentou um tanto também, o que me fez engordar, pra variar. Estou tomando as medidas de contenção de danos, tipo fazer um mínimo de exercícios e tentando fazer o "mindfullness" enquanto faço minhas refeições, mas é difícil. E, ao mesmo tempo que eu comomais do que deveria, a comida reramene tem sido gostosa. Salvo alguns pratos preferidos que minha esposa faz para mim, a maioria dos alimentos é bom, mas não tão bom quanto costumava ser, e mesmo assim eu cometo a façanha de comer mais do que deveria.
Meu psiquiatra pediu para eu anotar o que eu como, a quantidade, o sentimento associado e a situação vivida que pode ter desencadeado o episódio de compulsão alimentar, mas não é exatamente compulsão. É mais um exagero nas refeições. Como se eu tentasse suprir a falta de emoções com o excesso de alimentos, coisa que funcionava antes (remediar emoções com comida) e que agora só serve pra fazer eu virar uma forte concorrente de aparecer no programa Quilos Mortais (não cheguei nos 3 dígitos, mas se eu descuidar, o ponteiro da balança vira um ventilador em poucos dias).
De qualquer forma, meio de julho está aí e eu vou voltar ao psiquiatra.
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